Coisa de “POBRE” ou Sustentabilidade?
21/10/2011

Sei que após esse texto, muitas piadas virão, muitos podem dizer que eu que seja pobre sozinho, que o que eu escrevi é hipocrisia e que tudo o que tem nesse texto é inaplicável. Eu só tenho a concordar. Afinal… Se não fosse assim, o mundo seria outro e não estávamos preocupados com a tal da SUSTENTABILIDADE…

Já há muito venho ouvindo e lendo histórias, textos, piadas e mais uma centena de comentários, criticando, menosprezando e conceituando algumas ações, costumes e hábitos, como “coisa de pobre”. Nessas horas eu fico me perguntando porque aquele que se diz “Rico” fala tanto em sustentabilidade, se é o “pobre”, o ser mais auto-sustentável que eu conheço e ainda assim, o mais criticado?

Daí passei analisar, de fato, estas tão chamadas “Coisas de pobre” e trouxe aqui algumas delas:

Juntar o final dos sabonetes para fazer um novo.

Isso é sustentabilidade. Afinal, o desperdício é um dos alicerces da poluição. O excesso de produção, a utilização de energia para gerar mais sabonetes, os gases emitidos na atmosfera para fabricar e transportar o produto (leia-se, mais sabonetes, mais tinta para embalagens, papel, cola, gráficas para imprimir a embalagem, plástico para laminar o papel de cada rótulo etc.) e mais uma série de implicações que surgem, quando, não uma, mas milhares de pessoas decidem jogar um sabonete, com 90% de uso, fora, só porquê foi implantada na sociedade burra, a idéia de que isso é coisa de pobre. No final, os 10% restantes, multiplicados por todos os que descartam estes mesmos 10% , daria uma quantidade, talvez, considerável, acredito eu, de sabonetes não desperdiçados. Evitando a fabricação desnecessária de um grande quantidade de sabonetes, o que diminuiria a quantidade de poluentes gerados, pela geração de cada sabonete economizado.

Por água no detergente para render mais.

Isso é sustentabilidade. Cada gota de detergente concentrado, como os que são vendidos com a idéia de gerar economia, pode render até três vezes, ou mais, se diluída. Mas vem um piadista cômico e faz todo mundo ficar com vergonha, COM VERGONHA de diluir o detergente, pois assim ele será considerado “pobre”. Entretanto, os esgotos recebem cada vez mais detergente concentrado, as indústrias produzem muito mais detergente do que o mundo realmente precisa, tudo isso sendo levado às fossas de dejetos da humanidade, as quais, infelizmente encontram-se muitas vezes em rios, oceanos etc. Ah! Mas hoje há estação de tratamento de esgoto. Com certeza gastando muito mais energia (leia-se energia como força de trabalho, seja ela natural, química ou por meio de eletricidade) para limpar a merda que o complexado por não parecer pobre, gera com o desperdício.

Reaproveitar roupas velhas para fazer pano de chão.

E porque que devemos doar roupas rasgadas, com o elástico esgarçado e sem botões? Quem foi que disse que doar lixo é caridade? Talvez, para aqueles que não usam mais as roupas da coleção passada, mas mesmo assim as deixam no armário, mesmo que ainda novas, para ostentar um “Closet” recheado de relíquias da moda, faça sentido doar todas as peças, mas doar aquilo que não serviria para ninguém vestir? Isso é coisa de safado querendo posar de Irmã Dulce.

Não. Não é louvável doar trapos. Entretanto, comprar pano de chão, o qual foi produzido por um indústria têxtil, mesmo que com restos de tecido de saca de açúcar e que por sua vez gastou energia para uma máquina “owerlock”  fazer o acabamento da bainha, combustível para ser transportado, sacola de plástico para ser embalado ou etiqueta para identificação do produto é coisa de RICO! Coisa de quem está realmente preocupado com a “sustentabilidade” e que doa roupas que não servem mais para quem mais precisa de trapos.

Pois bem. Quando não existia indústria de pano de chão e utilizávamos toalhas, roupas, e lençóis velhos para limpeza da casa, quando fazia-se coxas de “aproveitamento de retalho” e “apregávamos” botões, não precisávamos fazer campanhas em prol da sustentabilidade.

Reaproveitar copos de extrato de tomate.

A pergunta é: porque jogar fora? Alguém, um belo dia, inventou que era “falta de educação” servir água, suco, ou qualquer outra bebida em um copo de extrato de tomate… Eu até hoje me pergunto como é que o copo do extrato de tomate poderia me ofender de algum modo…

Em um mundo onde ladrões justificam um assassinato alegando “reação” da vítima e possuem penas abrandadas, programas de TV exploram os momentos mais infelizes de certas pessoas para ganhar audiência, alunos xingam professores em escolas, pessoas vão a público chamar negros e homossexuais de promíscuos e são eleitos senadores, um cidadão diz que “comeria” a mãe e seu bebê e todos o chamam de comediante, protestando a seu favor (nem toco no assunto: censura. Pois todos devem poder dizer o que quizerem, mas isso não quer dizer que o que se diz esteja correto e deva ser sempre aplaudido, só por ter sido dito), políticos destroem toda uma nação, em prol de enriquecimento próprio e continuam sendo eleitos, sem que nenhum protesto seja, de fato, efetivamente incisivo em seu detrimento, pessoas manifestam seu desprezo pelas menos abastadas financeiramente, é inconcebível acreditar que em tal cenário, um copo de extrato de tomate possa me ofender de alguma maneira.

À bem da verdade, jogar fora um utensílio bom, sem defeitos, em perfeito estado de uso e de vidro, o qual, por assim o ser, consumiu muita energia para ser gerado, só porque um ser desprezível disse que reaproveitar um copo de extrato de tomate, ou requeijão cremoso, ou qualquer outro similar, seria coisa de pobre, isso sim é uma grande ofensa à minha inteligência. É subestimar meu discernimento entre o que é falso e verdadeiro, o que é correto e o que é falácia.

Até mesmo porque, reaproveitar é sim, sustentabilidade.

Mas não para por aí. Pois além de se criar uma cultura rasa, onde é execrado o comportamento do “pobre”, o qual é, em muitas das vezes, auto-sustentável por pura necessidade, mesmo não querendo o ser,  ainda desenvolveu-se o folclore de que devemos ter sempre objetos novos. Substituir o que está funcionando, por algo que funcione igual, porém, com um detalhe a mais.

Desta forma, seguimos com o rebanho do consumismo: compramos um novo celular, com câmera de 5.0 mega pixels e jogamos fora o anterior com câmera de 4.0 mega pixels, o qual ainda possuía todas as funcionalidades em prefeito estado; compramos uma bolsa com estampa de onça, até mesmo porque já matamos quase todas as onças para fazermos bolsas, nos restando apenas copiar a estampa mesmo, aposentamos a bolsa antiga, com estampa de zebra, nova e sem nenhuma avaria; compramos uma televisão de 60 polegadas, pois é feio ter em casa a de 42″ igual a do “pobre”, já que ele pode comprá-la no crédito e com o lançamento da de 60″, o preço acabou ficando mais acessível.

Compramos mais coisas que podemos comer, mas a “fartura” é o que importa. Compramos mais do que podemos usar, mas ter para mostrar é coisa de “rico”… E assim segue o mundo que “luta” contra a fome, a pobreza e a desigualdade. Um mundo que produz infinitamente mais do que o que necessita, mas mesmo assim encontra espaço para vender cada vez mais e disputar PIBs entre nações, as quais, muitas vezes possuem problemas de fome, pobreza e desemprego. Onde, se for preciso diminuir a vida útil uma bateria de laptop, para que se compre laptops à toda hora, assim é feito, mas junto com uma campanha de SUSTENTABILIDADE, é claro! Onde é “Chique” gastar porque pode-se pagar por tal.

Enquanto for “CHIQUE” a cultura do “eu faço porque eu posso pagar por isso”, precisaremos sim, falar em sustentabilidade, pois em um mundo onde é “chique” falar em sustentabilidade, o “ser” “Chique” é o menos sustentável dos seres.

Rede Social ou Mídia Social? Quem é quem?
11/05/2010

Percebendo certa confusão entre “Mídia Social” e “Rede social”, resolvi dar minha contribuição ao tema discutido, expondo aqui, meu ponto de vista sobre ambas as expressões.

Parto, portanto, das expressões em si, sem necessariamente levar em consideração as já pré-determinadas definições de “Mídias Sociais” e “Redes Sociais”, já que a discussão, neste caso, pretende achar a real diferença entre ambas, e até mesmo se há diferença. Sendo, para isto, necessário definirmos cada uma delas.

Não vou me ater a pôr significados etimológicos de palavras, considerando o senso comum em relação ao significado das palavras: rede, mídia e social. Até mesmo porque não pretendo, aqui, ir aos primórdios de cada uma destas palavras.

Seguindo então, começo pelo significado primário da expressão “Rede Social”.

Sem muitas delongas, a expressão refere-se a relacionamento de pessoas dentro de um grupo socialmente organizado. Em outras palavras, pessoas que se comunicam dentro de um grupo específico por afinidade de interesses. Chamamos de redes, pois esta foi uma forma figurativa adotada para definir um grupo de pessoas que estão ligadas de alguma forma. E são sociais por se relacionarem entre si, trocando informações, organizando grupos exclusivos e inclusivos, criando diferentes modos de se relacionarem, aparecendo uns para os outros, enfim… criando uma rede de sociedades restritas dentro desta rede.

Partindo para o conceito de “Mídia Social”, e neste caso recorro ao significado direto da palavra “mídia”: devo lembrar que está diretamente associada a “meio”. Ou seja: “meio social”. Se entendermos dessa forma, “Mídia Social” se torna, de certa forma, outro nome para definir “Rede Social”, sendo que com outra abordagem: ao invés de se tratar da ligação entre as pessoas, tratar-se-ia do ambiente onde elas estão se relacionando.

Sejamos então, menos quadrados e tentemos entender Mídia como uma palavra voltada ao sentido de “meio de comunicação” e não apenas meio, por si só. Desta forma, teremos uma expressão que também admite a idéia de “local onde se pode aparecer” (falo da palavra “Mídia” apenas). Juntando ao fato de ser “Mídia Social”, o que queremos definir, entendamos então que trata-se de uma expressão que pode ser lida como um “veículo social”, onde pessoas utilizam como meio de comunicação.

A diferença aparece, no momento em que atentamos para o fato de que em “Mídia Social”, as pessoas se comunicam, individualmente, mas não entre si, pois não geram uma “rede” de relacionamento. Apenas postam informações e mais nada. Para isto, trago exemplos como: http://pt-br.tinypic.com/ ou imageshack.us/. Nestes sites, as pessoas postam fotos, suas, ou de qualquer outra coisa, mas não se comunicam entre si, não formam grupos, sendo apenas um espaço para que elas exponham o que querem mostrar ao mundo.

Veja o gráfico ilustrativo abaixo:


Já o Orkut, o Twitter, Facebook, Digg, entre inúmeros outros exemplos, onde pessoas se comunicam entre elas mesmas e com o mundo, se associam, montam “comunidades”, formam grupos excludentes etc. São sites que servem como uma mídia para as pessoas (leia-se: sociedade), além de serem também, uma “Rede social”.

Veja o gráfico ilustrativo abaixo:

Gráfico ilustrativo para Redes Sociais

Por fim, para deixar claro alguns possíveis questionamentos:

É possível haver uma Rede Social sem ser uma Mídia Social?

Não. Afinal, para ser rede social, tem de estar inserida em algum meio. Entendendo que este meio está na web, já que é disso que estamos falando, e está aberto à exposição de todos, ou de parte de um grupo, torna-se uma mídia para o usuário.

É possível ser uma Mídia Social sem ser uma Rede Social?

Sim. Caso as pessoas apenas postem algo, sem que haja inter-relação entre elas de forma alguma, elas não irão formar uma Rede Social, mas não deixarão de estar fazendo uso de uma Mídia Social.

E-mail é uma Rede ou Mídia Social?

Não. Na verdade o e-mail, em sua configuração natural (original) é um meio de comunicação interpessoal que pode ter abrangência de meio de comunicação em massa ou não. É uma ferramenta de comunicação privada, não admitindo-se ser de exposição pública, mesmo que fale com muitas pessoas.
Atento apenas para o fato de que hoje já existem algumas ferramentas que integram o e-mail a outros meios de comunicação, como o Google Wave por exemplo, o qual se assemelha a uma estrutura de rede social. Mas pelo mesmo motivo da não exposição pública, mas sim, privada, não o torna nem mídia, nem rede social.

Eis, pois, meu ponto de vista para o assunto.

Abraços.

Um breve desabafo…
13/01/2010

Volto a escrever, após uma longa pausa, pois andei ocupado com alguns problemas profissionais nestes últimos meses. Aliás, é disto que pretendo falar. É sobre isso que venho pensando há um bom tempo.
Não se trata – o que pretendo falar – de problemas profissionais meus, ou de quem quer que seja. Trata-se do problema profissional que assola nossas vidas. Pode até parecer bastante enfadonho e até mesmo apocalíptico essa colocação, mas é isso mesmo o que vejo.
Para não escrever durante meses e resultar em um texto imenso, e pode ter certeza, este já será um texto imenso, focarei minha análise em pontos bem específicos de nossa história, bem como no Brasil, porém não me furtarei de citar o mundo em momento algum, caso seja pertinente.

Como já havia dito, penso e critico a forma como as coisas andam em termos de “profissionalismo” desde uns tempos para cá. Mas entendo que esta crítica seria redundante, caso levasse em consideração o eterno efeito épico da nostalgia, onde, na Grécia, filósofos pós-socráticos, criticavam seus antepassados como Sêneca em “A brevidade da vida”, que criticou a sociedade, por esquecer os tempos em que prazeres mínimos e preocupações muito mais pertinentes do que as atuais – em seu tempo – , porém esquecidas, tornavam a vida tão rasa e intragável ou como Schopenhauer que em “Pererga e Paralipomena” fazia um “ode” aos tempos idos do real estudo, não superficial da lógica e das línguas passadas, fazendo ferrenho discurso contra a forma de pensar, estudar e escrever “hegueliana“, a qual era a mais atual corrente filosófica de sua época. Sem contar com nossos pais e avós, que sempre têm na ponta da língua, expressões como: se fosse antigamente…

Não. Prefiro me ater a uma análise mais factual e, talvez, mais sólida até. Prefiro atiçar-me à história, à sociologia, à política e somar tudo isso à minha percepção, mesmo que, talvez, equivocada, da realidade.
Falo, pois, de algo que vejo diariamente quando vou trabalhar, quando ligo a TV, quando ando na rua, quando navego na “net”. Falo da falta de compromisso, da falta de preparo, dos incontáveis acontecimentos que me levam a perguntar-me: o que está acontecendo? Falo, também, de uma realidade breve, a qual há breve tempo acontece, mas que já reflete em nosso dia-a-dia: para uns, o resultado do capitalismo, para mim, o retrato de um mundo desordenadamente burro. E não confundam uma coisa com a outra, pois, por mais que elas pareçam resultado, uma da outra, não necessariamente o são.

Começo este texto, portanto – avisei-lhe, caro leitor, que iria ser longo – citando um fato atual, onde, uma grande empresa – Nokia – , envia, deliberadamente, uma mensagem de desativamento de um blog, o qual a servia favoravelmente e com grande resultado positivo. Os motivos os quais resultaram em tal atitude ainda não foram esclarecidos, porém, completamente irrelevantes, haja vista, o pedido de retratação publicado pela própria empresa em questão.

Para deixar mais claro o meu ponto de partida para esta reflexão, trata-se do setor jurídico da empresa, responsável por “vigiar” todas as informações, “oficialmente ou não”, publicadas na web, que, em um devido momento qualquer, identificou o blog NokiaBR, como, Deus sabe lá como, prejudicial à imagem da marca, enviando-lhe assim, um comunicado extrajudicial, solicitando a sua desativação.

O proprietário do blog por sua vez, obedeceu de imediato tal solicitação, sem nem questionar o motivo, sendo que a empresa que o “vetou”, fora a mesma empresa que já havia lhe convidado para eventos, pagando-lhe até passagens como cortesia, bem como, em outras ocasiões, enviou-lhe aparelhos para teste e releases para publicação. Sendo, portanto, notória a aprovação de tal “parceiro” na web.

É fato de que se trata de um sistema falho de comunicação interna, mas trata-se também de um despreparo absoluto para a função de “vigia”, a qual fora demandada ao cidadão, funcionário da Nokia, seja ele, terceirizado ou não.

Trata-se também, de algo muito maior que isso. Trata-se de descaso com a própria profissão, no que compete ao encarregado de supervisionar e examinar os textos publicados sobre a marca. Trata-se da completa falta de compromisso para com tais contratações.

Mas o caso em questão não é uma empresa que possui milhares de funcionários e um destes cometeu um erro. Falo de algo que é presente em todo lugar: pessoas despreparadas para exercer suas funções.

Se formos tentar entender um pouco de tudo isso, que peguemos então uma carona na história e caminhemos juntos desde o início do século passado, onde marcas começaram a surgir timidamente se comparado aos tempos atuais. Onde havia poucos fabricantes para cada item a ser consumido, onde o consumidor escolhia entre esta ou aquela opção de compra, sendo muitas vezes, apenas “esta” a opção de compra.
De lá para cá surgiram diversas marcas para cada produto. Nós passamos a ter de escolher, ao invés de duas ou três marcas para cada produto, entre centenas delas. O que, para o ato da compra, era necessário apenas a “qualidade” como fator diferencial, passou a ser, para a marca, a velocidade com a qual aparecia à frente do consumidor. Com tantas marcas, a qualidade se nivelou por baixo e o preço passou a ser um determinante fator de escolha.

Junto às propagandas e diversos mecanismos e estratégias de mercado, o produto passou a ter a necessidade de se tornar mais barato, onde os anúncios publicitários eram responsáveis por torná-los mais interessantes, o seu preço, por torná-lo mais atrativo, a facilidade de encontrá-lo tornava-o mais ou menos popular. Não era mais a qualidade que importava, mas sim, quão mais sedutor era seu anúncio, mais desejada sua imagem, mas possível sua compra, mais atrativo seu argumento.

A saturação deste modelo de venda, é claro, gera a necessidade de resgatar os diferenciais, invocar a qualidade, ressaltar a personalidade de cada produto.

Personalidade + diferencial:

Estratégias de posicionamento de mercado passam a assistir as marcas. O Marketing ganha uma força monstruosa em todos os setores e passa a comandar, definitivamente, os rumos das empresas, guiando-as, como se um GPS fosse, aos caminhos mais lucrativos e promissores.

Eis que o “câncer”, outrora já eminente, começa sua “metástase”. Não mais importava o que, nem como se iria atingir as metas traçadas, apenas, era necessário alcançá-las.

Assim foram todos, marcas, países, pessoas… Todos queriam alcançar metas, todos querem alcançar metas.

Se o homem é produto do seu meio, este é um bom exemplo disso, se não é, esta é uma anomalia social. Nada interessa mais a ninguém hoje, aliás, é o que parece ser o movimento “tô nem aí” do mundo. O fato é que parece todos seguirem esta regra: não importa. Também seguida de outra regra: quero bater minhas metas.

Atrás disso vem o Brasil, querendo bater suas metas. Metas de crescimento, metas de ganho de confiança dos investidores, metas de aprovação nas escolas, metas de ingresso em faculdades e em formação de profissionais. Metas econômicas, de visibilidade mundial, de deixar de ser um país “emergente” para se tornar um país de “primeiro mundo”. Metas…

O que parece a ninguém, ou, ao menos, boa parte dos brasileiros, não importar é: como “bater” todas as suas metas e mantê-las “batidas”. Ou seja: como sustentar o patamar que alcançou.

São “CPAs” que formam alunos que deveriam estudar dois, três, ou até mais anos, em poucos meses. São faculdades que abrem sem nenhum preparo para ensinar e aprovam alunos sem nenhuma base para aprender suas profissões; são profissionais que inundam o mercado sem nenhum preparo para exercer suas funções; são empresários que não sabem gerir suas empresas e empregam pessoas as quais não podem avaliar; são pessoas que não podem conceituar pessoas, conceituando-as; governantes que não estão preparados para governar; legisladores que escrevem leis inconstitucionais; médicos que não possuem a mínima condição de clinicar, examinar, operar, receitar… Daí, vemos empresas que abusam de seu poder financeiro e da abertura que recebem em diversos países “terceiro-mundistas”, esculhambando a vida de todos os usuários de seus serviços, pois estes não sabem nem por onde, nem o que, nem como, muito menos que podem reclamar seus direitos.

Falo, portanto, de um mundo imediatista, de uma sociedade alucinadamente desnorteada, que apenas corre para bater metas e alcançar alguma coisa que ninguém sabe o que é, mas todos querem atingir.

O que ocorre então? Tudo muda novamente.

Imersos nessa homérica desordem profissional, agora falando apenas do Brasil, pois, se em outro lugar estiver acontecendo o mesmo, não posso afirmar com certeza, surge, empresarialmente, a necessidade de se destacar por outros caminhos, que não mais são apenas os de vender antes que os demais concorrentes o façam. A web (Twitter, Youtube, MySpace, Flickr, WordPrass, etc.) e as demais redes internacionais de comunicação, a força das, hoje, já imensas corporações mundiais, a diversidade astronômica de marcas, o poder de compra global, a “mundificação” das sociedades e a, agora, mais do que nunca, a necessidade de ser escolhido pelo consumidor, trazem uma nova realidade que se alastra: a qualidade em custo X benefício real e absoluto de cada produto ou serviço oferecido. Na verdade, este é o começo de uma nova era comercial, onde desde o profissional, até a empresa, precisam realmente produzir algo melhor do que o outro, só que não mais na escala de proporção “empresa para empresa” e sim, “pessoa para pessoa”, algo que o mundo nunca havia visto antes, e que exige de cada um, a necessidade de voltar a se aprofundar muito mais do que estamos acostumados a fazer, em nossa área de atuação, caso deseje este profissional, se destacar perante os demais, no mercado.

Em suma, nada mudou no mundo, no que diz respeito aos ciclos vividos pelas sociedades, porém, muito do que conhecemos, ganha hoje, uma roupa que nunca fora antes vestida.