Obama.

Um case que surpreende a cada instante.

Obama na posse

Obama na posse

Recebi um e-mail de um amigo com um link para uma página que continha fotos de lugares diferentes, registrando a posse de Obama.

É de conhecimento de muitos que o atual presidente dos EUA é uma pessoa de uma popularidade descomunal, e que isto foi conquistado, em parte, graças a ele, por ser uma figura simpática, de carisma expressivamente alto, centrado, enfim… alguém que além de todas as qualidades que os americanos acreditam ser essenciais para ocupar o posto mais alto de liderança do país deles, é também uma pessoa que facilmente conquista sorrisos de esperança através de um discurso bastante equilibrado, porém enfático e bem definido. Claro que não tem como tentar, aqui, definir ou resumir em poucas palavras o atual Presidente dos Estados Unidos, até mesmo porque não é o caso, só não poderia deixar de dar-lhe parte do mérito sua vitória.

Entretanto, existe uma outra parte que é de fundamental relevância na eleição de Barack Obama, e esta não tem nem como ser mensurada em um texto, ou talvez nem em um livro, quem sabe vários, uma enciclopédia talvez bastasse. Portanto, este também não é o meu objetivo aqui.

O que realmente gostaria de comentar são alguns pontuais quesitos que chamaram a atenção de centenas de comunicólogos, publicitários, estrategistas, jornalistas e mais uma série de profissionais que trabalham com comunicação, marketing e propaganda.

Eis a questão:

Tudo bem que o momento era propício, mas eleger um presidente negro em um país de grande expressão racista é uma tarefa de árduo trabalho e um desafio homérico. O que fazer então para driblar essa barreira? Lavagem cerebral para convencer a todos de que ele não é negro? Bem, se tratando de estratégias americanas, esta não seria uma opção descartável. Mas, graças a Deus, não foi o que fizeram.

Um candidato a presidência dos Estados Unidos da América que não possui um discurso tão conservador e totalitarista quanto a população americana elegeu nos dois últimos mandatos, não seria o mais indicado à vitória, a não ser que existisse uma, ao menos, moderada rejeição do presidente em posto. E isso é um bom ponto de partida.

Somando-se então um problema a uma oportunidade, surge a necessidade de se estabelecer uma estratégia minuciosamente planejada para não deixar as coisas se desamarrarem e por em risco a mais surpreendente eleição já acontecida nos EUA, ao menos nas últimas décadas (não sou historiador para afirmar que fora esta a mais surpreendente de todos os tempos).

Criou-se então uma imagem perfeita de alguém que poderia representar todos, ou ao menos a maioria dos americanos. Um homem negro, porém mestiço, culto, competente, que venceu todas as barreiras impostas pela vida, batalhador, equilibrado, sucinto em seu discurso, coerente em suas afirmações e, principalmente, uma pessoa do povo. Parece até que estamos falando da imagem que o presidente Lula plantou na mente de cada brasileiro em sua primeira eleição, resguardando as devidas diferenças.

Mas como fazer tudo isso se tornar voto? Como fazer o povo americano entender que aquele seria realmente o reflexo do povo americano? E mais: Como fazer o povo americano acreditar que ele era o seu reflexo?

Utilizando todas as possíveis ferramentas que se dispõe numa campanha eleitoral nos EUA, entra em cena uma novidade estratégica, e agora sim eu posso afirmar, nunca antes utilizada com tanta força e tanta eficácia, quanto fora desta vez.

O Internet Marketing, na campanha de Obama, foi um fator estratégico crucial e de extraordinária relevância para sua eleição.

Eram Twitters sendo disparados em uma velocidade e quantidade incontável, seguindo cada passo do candidato, um site que possuía uma arquitetura extremamente acessível e contendo quase todos os modos de comunicação que a internet possui. Entre vídeos, textos, depoimentos, discursos, sites de relacionamento, blogs, e tudo mais que pode-se aproveitar para estabelecer um contato direto ou indireto, imediato, ou não imediato, com o eleitor, estavam presentes nas páginas de internet feitas pelos eleitores, os blogs em homenagem a Obama, perfis falsos e verdadeiros, que descreviam o candidato.

Um movimento tão grandioso e tão intenso que só poderia gerar um resultado: Proximidade.

A população americana estava próxima de seu candidato, como nunca estivera antes.

Disputando de igual para igual o espaço lhe cedido na mídia convencional (apesar de não considerar desta forma “convencional” nenhuma mídia, sei que assim me farei ser entendido), o espaço na “net” era todo de Obama.

Agora o americano podia ver e seguir o seu candidato, como se fosse tão próximo a ele, quanto de um amigo. Podia ter acesso ao seu candidato, sem que precisasse esperar que ele aparecesse na TV, no rádio, ou em um, talvez único discurso, isso se tivesse sorte de estar presente em algum. Pelo contrário, poderia assistir todos os seu discursos, todas as suas declarações, e até saber o que ele comeu entre uma entrevista e outra.

Agora estava criada a possibilidade de votar em um presidente que se conhecesse tão bem quanto um familiar, ou pelo menos o inconsciente de cada eleitor estava apto a pensar isso.

Somemos tudo isso ao fator de oportunidade que lhe guardava uma parte dos votos, o seu discurso, os anseios americanos e uma boa dose de carisma.

Para finalizar tudo isso, imagine que existissem “fotógrafos” espalhados por diversos pontos do mundo, apenas para registrar, do ponto de vista do povo, mundial, a posse de Obama. Na verdade, não necessariamente isto estivesse realmente planejado, ou foi apenas identificada a oportunidade de se pedir tais fotos pela internet, mas é muito difícil não imaginar que alguém também tenha vislumbrado, de ante-mão, esta magnífica ação.

O mundo está conhecendo uma nova forma de fazer Marketing, e esta é muito mais poderosa que todas já conhecidas, esta não parte do ponto de vista das empresas para atingir as pessoas, mas sim das pessoas para atingir as marcas, e mais: Faz com que as pessoas sejam as mídias, os clientes, expectadores, produtores de conteúdo, vendedores, propagadores, e às vezes, os fazem se enxergarem , como no caso em questão, a própria marca.

Anúncios

There are no comments on this post.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: